sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Nada

O nada. Tudo que ele sentia era o nada no seu âmago, sua vida. Era difícil perceber que vivia pelos outros, vivia para tentar fazer com que as pessoas ao se redor sejam felizes e lhe vissem como um alguém, como um pobre jovem solitário cuja cada lágrima caída representava uma decepção, uma descoberta que não havia ninguém para ele chamar de porto seguro, não haveria alguém ali, pronto para lhe abraçar quando este sofresse e disposto a acompanhá-lo na jornada contra todos os problemas.

Ele olhava para o grupo com quem andava, rapazes e moças felizes que lhe notavam, claro, falavam com ele, o incluíam, prestavam atenção no que ele tinha pra falar e riam de suas raras piadas. Porém, nada passava disso. Eram secos, rasos, não percebiam que ele sofria e que ansiava por uma mão amiga, um semblante de compreensão. Não percebiam porque, para eles, o garoto não era nada além de uma simples distração, era bom quando estava ali e não fazia falta quando não estava, era uma peça descartável, uma folha de papel que poderia ser levada pelo vento sem fazer falta. Haveriam outros para substituir, os distrair.
Como era penoso sentir o nada.

Ele chegava em casa e a mãe levantava os olhos inchados, e sem qualquer mostra de boa recepção, ela virava as costas e caminhava com passos pesados até a cozinha, esquentava a comida de dias atrás e largava na mesa, arrastando-se de volta ao seu quarto, apática como sempre e completamente desmerecedora de qualquer sentimento de pena. Ela também não se importava, o filho fora um erro, um descuido. Garoto estranho, melancólico. Talvez tenha vindo só para botá-la em penintência, e ela não merecia aquilo.

O pai chegava tarde, exausto de sua jornada, encontrava o filho largado no chão da sala, papeis amontoados, repletos de rascunhos e desenhos que ele não se dava o esforço de tentar entender. Sua expressão enrijecia, lembrava-se de quando tinha a idade do garoto, era vívido, boêmio, saía com os amigos, embebedava-se e pegava prostitutas de esquinas em antigos puteiros, muitos comuns nos anos dourados. Por poucos segundos ele se deliciava com aquelas lembranças e então voltava à realidade, olhava com desagrado para o filho que lhe decepcionava e ia para o quarto, aonde a mulher o aguardava, o único a quem ela realmente amava.

O jovem erguia os olhos de seus contos de anti-herois, de amores viciosos e sentimentos sujos, a mãe gemia alto e o pai a chamava de nomes depreciativos, sabendo que a mesma gostava. Eles eram asquerosos, pobres de alma e imundos de mente e consciência. Que apodreçam com a vida que levam, que sejam castigados por seus erros, por seus descuidos e negligência. Podiam morrer, não lhe fariam falta, lhe fariam um bem.

E ele ia dormir, ansioso pelo raiar do sol, pelo horário que a campa do colégio tocaria e ele se reuniria com seu grupo, pseudo-amigos que lhe cumprimentavam sem um olhar sincero de companheirismo. Porém, ele os aceitava, pois eram o melhor que tinha, até o momento que o vazio lhe envolveu e o fez perceber. O nada era melhor do que falsidade e descaso. Para o que exatamente ele vivia? Ninguém se importaria com suas vitórias, suas escolhas, ninguém se importava com sua vida.
Ele não era ninguém.

E após mais um dia de convivência com todas aquelas pessoas, ele desabou. Seus colegas pareciam cada vez mais propícios a não lhe darem atenção, assim como os pais que estampavam claramente sua repulsa pelo filho, que mais parecia um animal digno de sacrifício.

Trancou-se no quarto, fitou-se no espelho, um jovem com olheiras, cabelos sebosos, rosto pálido e corpo magro, o retrato do vazio, retrato de anos de uma semi-vida. Ele não era nada, completamente descartável. Não havia motivos para sua vida.

E a epifania de sua existência chegou como uma forte corrente elétrica, intensa e desastrosa. Ele não sentia o nada, ele era o nada. Simplesmente não existia, aquele não era seu lugar. Deveria dar um basta em tudo, seus pais nunca haveriam de lhe querer, seus “amigos” nunca haveriam realmente de se importar.

Uma última folha, um último texto. Últimos pensamentos. E desta não teve personagens criados, enredos imaginados. Ele era o personagem central, fora seu último anti-heroi, tão digno de pena quanto de desprezo, pois deixara claro o que faria após descansar a caneta.

“Sou um nada”

Terminando assim, dobrou a folha e depositou-a na mesa da cozinha, esperando que a mãe lesse e soubesse o quanto era falha na mais bela das ocupações.

O sangue foi derramado, a última e desesperada tentativa de fazer-se notar foi feita. A folha largada na mesa foi lida e desprezada.

Afinal, ninguém se importava com o nada.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sorrisos

Como dizem por aí: 'O sorriso enriquece quem o recebe sem empobrecer quem o doa', não consigo imaginar a vida sem que existam os sorrisos, pois eles nos dão consolo quando estamos cansados, renovam as coragens após derrotas e são o principal remédio para a cura da tristeza.

O sorriso conquista novos amigos, mantém amizades da infância até a velhice e, de quebra, faz com que você seja bem recebido em qualquer local. É tão magico ver o sorriso de um bebê, aquele verdadeiro, puro e as vezes inesperado. Estranho mesmo é ver aquele sorriso "falso", que sabemos não ser espontâneo e mesmo assim colocado no rosto pra não deixar alguém sem graça.

Não entendo porque as pessoas adoram se magoar e nunca se cansam disso, qual o problema em tratar bem o próximo?, qual o objetivo de guardar tanto ódio por coisas banais ?,Não sei. Gostaria de saber se existe  beneficio por manter coisas ruins dentro de si.

É tão bom ver o sorriso estampado no rosto de pessoas que amamos, ainda mais quando nós mesmos somos os motivos de ele aparecer, manter os sentimentos bons dentro de si e apagar os ruins é uma ótima atitude para que tenhamos uma vida repleta de felicidade, conquistas e amadurecimento, sorrir nos motiva a seguir em frente após uma grande queda e a conquistar nossos objetivos com   um  sentimento a mais, a alegria .
 
"Sorrir não mata. Viver não dói. Abraçar não arde. Beijar não fere. Rir não machuca.
Você não tem motivos para não tentar ser feliz, ou será que tem?
E mesmo se tiver, vá a luta, insista, não deixe que nada te abale, não deixe que nada te faça perder as esperanças...
A vida é bela, mas ela é curta. O momento pra ser feliz é agora, então aproveite, jogue fora todos seus medos, porque depois quando você se der conta, pode ser tarde demais, e aí será o fim!"
 
 


Luma Cristina Ferreira Guerreiro.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Estética dos Opostos



Muitos perguntam o que seria do dia se não existisse a noite, o que seria do calor se não existisse o frio, o que seria da vida se não existisse a morte. Talvez a existência, o mundo como conhecemos, não tivesse o mesmo sentido se não nos deparássemos com antagonismos em todos os cantos a qual olharmos. Qual a graça da igualdade, do constante e linear? O que seria acordar todos os dias sabendo que a noite não cairia, que o tempo não mudaria ou que nosso modo de viver não sofreria quaisquer modificações? Dispor de opostos é dispor de incertezas e possibilidades, mas também dispor de uma certa relatividade, de uma falta de padronização que não permite o martírio da rotina, o enfado da estática.

A relação dos opostos vai, acredito, muito além do já batido “os opostos se atraem”. Eles se chocam, se completam, divergem e garantem a existência mútua, mesmo que esta ideia não seja muito bem aceita a princípio. Há aqueles que acreditam que, se a guerra não existisse a paz reinaria no mundo, porém não param para pensar no que seria o conceito de paz, no que ela realmente iria consistir. Em suma, é possível pensar na paz suprema? Nos dias atuais é o que mais queremos, entretanto, não tê-la em sua plenitude é o ponto primordial para sentimentos como amor, solidariedade e esperança existirem e ganharem força em meio aos sentimentos terrenos. Como poderíamos saber o que tais emoções significam se não soubéssemos o que são o ódio, egoísmo e tantos outros anseios nocivos? Em mais abrangência, será que teríamos sentimentos se no mundo regesse a unidade?

O reconhecimento da importância das diferenças, dos opostos, foi o que motivou a criação deste blog. Pretendemos aqui mostrar os dois lados da moeda, as duas facetas da vida. Falaremos sobre amor, sobre ódio, sobre bondade e maldade. Mostraremos como a existência e o embate dos opostos influenciam diretamente na nossa vida, e como eles divergem e convergem e nos dão aquele “sabor a mais”. Aqui não seguiremos uma linha reta de raciocínio, e sim exploraremos diversos aspectos do cotidiano que só são possíveis devido à miscelânea de opostos que pigmentam nossa realidade, colorindo-a com seus tons quentes e frios.

Perfil - Victor Tourinho




Bom, nessa minha primeira postagem tento explicar um pouco sobre minha personalidade. É uma tarefa meio complicada, já que eu nunca sei realmente no que me definir. Primeiramente, sou chato, um pouco antipático e anti-social, é provável que meu humor seja inversamente proporcional à quantidade de pessoas ao meu redor. Apesar disto, não sou alguém tão difícil de conviver assim, as pessoas só têm que saber como agir ao meu lado e o que falar comigo, só isso, simples.

Amo ler, amo escrever. Acredito que o meu apego aos livros me fez assim, preferindo o mundo das palavras ao mundo real, que, sinceramente, chega a me enjoar. Com relação à escrita, comecei bem novo, me jogando no universo das fanfics, que me deu o conhecimento necessário para eu me considerar um escritor no mínimo mediano. Não curto muito escrever sobre coisas felizes, acho que a graça da escrita está na carga de dramaticidade que o autor pode se valer usar em seus textos. Já escrevi sobre coisas bem pesadas em épocas passadas, mas atualmente estou com textos mais leves, devido, creio eu, ao meu namoro que me fez enxergar alguma beleza no mundo, mesmo assim, esperem textos meus no mínimo melancólicos e até sombrios, minha zona de conforto.

Não pensem que sou um jovem de personalidade obscura por conta disso, quer dizer, para ser sincero, parte de mim é de fato obscura, porém, é essa parte que me fez descobrir o meu maior talento. Fora isso, sou palhaço quando estou de bom humor, e até irritante, quando estou com pessoas que gosto chego a virar criança. Sou estudante de Direito e amo minha namorada por inúmeros motivos, entre eles, ver em mim não só um garoto estranho, mas alguém que apesar da personalidade complicada, só quer ser entendido e achar seu lugar em meio à maçante sociedade.


Perfil- Luma Guerreiro



 Meu namorado e eu possuímos geralmente modos de pensar antagônicos, na maioria das vezes estou sorrindo e de bem com a vida, gosto de observar coisas simples e transforma-las em algo único e fantástico, não sou muito ligada, as vezes me deixo levar durante horas por pensamentos encantados ou mesmo impossíveis.

Neste blog tentarei levar até vocês uma maneira única e especial de ver algo ocorrido em meu dia-a-dia, coisas que vejo, ouço, falo e que de alguma maneira me fazem refletir e/ou mudar. Possuo uma capacidade enorme em conquistar sinceras e duradouras amizades, gosto bastante de sair com amigos e  conhecer pessoas diferentes de mim, me apego bastante e procuro sempre que possível ajudar quem esta ao meu redor.

Espero que gostem deste blog, pois ele foi criado com muito carinho por mim Luma Guerreiro e pelo meu namorado Victor Tourinho, com o objetivo de realmente chamar sua atenção para a realidade atual e de nossos pensamentos sobre ela