Muitos perguntam o que seria do
dia se não existisse a noite, o que seria do calor se não existisse o frio, o
que seria da vida se não existisse a morte. Talvez a existência, o mundo como
conhecemos, não tivesse o mesmo sentido se não nos deparássemos com
antagonismos em todos os cantos a qual olharmos. Qual a graça da igualdade, do
constante e linear? O que seria acordar todos os dias sabendo que a noite não
cairia, que o tempo não mudaria ou que nosso modo de viver não sofreria
quaisquer modificações? Dispor de opostos é dispor de incertezas e
possibilidades, mas também dispor de uma certa relatividade, de uma falta de
padronização que não permite o martírio da rotina, o enfado da estática.
A relação dos opostos vai,
acredito, muito além do já batido “os opostos se atraem”. Eles se chocam, se
completam, divergem e garantem a existência mútua, mesmo que esta ideia não
seja muito bem aceita a princípio. Há aqueles que acreditam que, se a guerra
não existisse a paz reinaria no mundo, porém não param para pensar no que seria
o conceito de paz, no que ela realmente iria consistir. Em suma, é possível
pensar na paz suprema? Nos dias atuais é o que mais queremos, entretanto, não
tê-la em sua plenitude é o ponto primordial para sentimentos como amor,
solidariedade e esperança existirem e ganharem força em meio aos sentimentos
terrenos. Como poderíamos saber o que tais emoções significam se não
soubéssemos o que são o ódio, egoísmo e tantos outros anseios nocivos? Em mais
abrangência, será que teríamos sentimentos
se no mundo regesse a unidade?
O reconhecimento da importância
das diferenças, dos opostos, foi o que motivou a criação deste blog.
Pretendemos aqui mostrar os dois lados da moeda, as duas facetas da vida.
Falaremos sobre amor, sobre ódio, sobre bondade e maldade. Mostraremos como a
existência e o embate dos opostos influenciam diretamente na nossa vida, e como
eles divergem e convergem e nos dão aquele “sabor a mais”. Aqui não seguiremos
uma linha reta de raciocínio, e sim exploraremos diversos aspectos do cotidiano
que só são possíveis devido à miscelânea de opostos que pigmentam nossa
realidade, colorindo-a com seus tons quentes e frios.
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